domingo, 23 de maio de 2010

Séries - Pushing Daisies

Bom, quase dois meses sem postagens. Preciso fazer disso um hábito. :(

Enfim, como prometido, continuo hoje a fazer uma retrospectiva das séries que assisti/assisto. Amanhã faço a resenha de Lost, após assistir ao derradeiro episódio da série que revolucionou a TV.

Pushing Daisies - ****

Ned (Lee Pace, ótimo) tem um dom incomum: ao tocar em uma pessoa morta, esta imediatamente retorna à vida. Se ele tocá-la novamente, a pessoa volta a morrer, desta vez para sempre. E com um pequeno porém: se alguém que Ned reviveu permanecer via por mais de um minuto, outra pessoa morre em seu lugar.

Com esse "talento", Ned se une a um detetive particular (Chi McBride, excelente) com o intuito de ganhar dinheiro solucionando assassinatos (uma tarefa fácil para alguém que pode simplesmente perguntar ao morto quem o matou). Mas certo dia, a vítima é uma antiga paixão de Ned (Anna Friel), e que, ressucitada, viverá um caso de amor impossível com ele.

E, se a premissa da série já não é bizarra o suficiente, os diálogos cheios de jogos de palavras ("a garota chamada Chuck") e aliterações ("The Darling Mermaid Darlings") e o visual pra lá de inventivo fazem desta uma série ímpar. Cada fotograma visto na telinha traz uma assinatura única e inconfundível, contando com um visual arrebatador, como o campo de girassóis ou o primeiro beijo entre o garoto Ned e a garota chamada Chuck. Trazendo uma direção de arte e efeitos especiais que buscavam criar visuais imaginativos para suas personagens e locações, a série era um verdadeiro prazer para os olhos.

Mas não era apenas visualmente que a série se destacava. Os roteiros inspirados brindavam os espectadores com diálogos extremamente bem polidos e elegantes. As falas que se atropelavam e se completavam contribuíam para imprimir um ritmo dinâmico ao programa, novamente buscando algo que o destacasse dos demais. Sem contar a narração imponente, que trazia uma aura de fábula inconfundível para o projeto.

E deve-se destacar também as brilhantes interpretações do elenco principal. Lee Pace, como o personagem principal, carrega com firmeza a função de exibir uma pessoa que claramente se ressente do "poder" que possui, mas que evita transformá-lo em uma pessoa amargurada. Ao invés disso, seu Ned é um homem que exala otimismo e esperança, mesmo que suas falas indiquem o contrário. Já Anna Friel também é hábil ao retratar sua Chuck, uma mulher que dedicou sua vida a cuidar das tias solteironas, e que descobre, na morte, uma segunda chance para realmente viver a vida. Mas quem roubam todas as cenas são os coadjuvantes. Chi McBride interpreta o detetive Emerson Cod, que insiste em usar o dom de Ned para ganhar dinheiro resolvendo crimes, mas que, apesar de sua fachada ambiciosa e sarcástica, se revela um homem bondoso e justo. E Kristin Chenoweth, que assume a identidade da sonhadora Olive, que se encontra perdidamente apaixonada por Ned. Contando com um timing cômico invejável, ela consegue extrair graça de momentos absolutamente normais (como sua inflexão ao dizer um simples "Hein?").

Trazendo também momentos absolutamente lúdicos e emocionantes (principalmente as tentativas de encontrar possibilidades para o "namoro" de Ned e Chuck, que estão condenados a nunca mais poderem se tocar), a série consegue misturar bem momentos tocantes com outros bem mais leves (que são maioria).

Infelizmente, devido aos baixos índices de audiência (os mesmos visual e roteiro incomuns que são os grandes trunfos da série se tornaram sua própria condenação, já que afastaram o público médio), a série foi cancelada prematuramente na segunda temporada. E com isso, esta segunda temporada foi prejudicada, já que, sem saber se a série seria levada até o final, seus criadores não puderam manter a história fluindo de forma natural, fazendo com que aqui e ali ela perdesse o ritmo com alguns episódios decepcionantes.

Mas, no geral, esta foi uma das grandes surpresas de 2008, e que merece ser descoberta, já que representa a prova de que é possível se fazer comédias fora do padrão natural das sitcoms.

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