Rocky Balboa
Não tem jeito. Sempre choro como um bebê ao
final de Rocky Balboa. Não tem como não se emocionar com o encerramento da
jornada de um homem que, mesmo não existindo, se tornou um modelo que inspirou
dezenas de desconhecidos a repetir o gesto já icônico no topo das escadarias do
museu de arte da Filadélfia ao som de Gonna Fly Now.
E Sylvester Stallone contribui imensamente para esta
identificação, ao criar um homem que, honesto, correto e simplório (ele dizer
que perdeu a esposa para um “câncer de mulher” é fantástico), encara o brutal
esporte que abraçou como profissão como algo nada mais do que isso: a única
maneira que ele conhecia para ganhar um dinheiro honesto. E Stallone indica
muitíssimo bem as décadas de luta de Rocky em sua expressão corporal, sempre
com os punhos cerrados e jogando os ombros pra trás, como se estivesse
constantemente em uma luta. Seu grande carisma e jeito bondoso criam uma
composição que contrasta com o tamanho do boxeador, numa performance que comprova
que, quando quer, Stallone É um grande ator.
Infelizmente o Stallone diretor tropeça ocasionalmente (como
a fraca decisão de fotografar momentos da luta final em preto-e-branco), mas
mesmo assim cria uma atmosfera melancólica e de fechamento, que encerra de
maneira perfeita a trajetória de seu personagem principal, permitindo que ele “libere
a besta no porão” e, assim, fique em paz com suas escolhas e sua vida.
Obrigado por tudo Rocky, inclusive por nos mostrar que, na
vida, não importa o quão forte você bata. Mas sim, o quanto você apanha e mesmo
assim continua indo em frente. 5/5