segunda-feira, 24 de maio de 2010

Inception - Christopher Nolan

Bom, pra não dizer que eu fico apenas na telinha, segue aqui uma dica de um dos filmes mais aguardados da década (na minha opinião): Inception (que, no Brasil, ganhou o título de A Origem). Vou escrever um pouco então sobre o diretor do filme, Christopher Nolan. Mais abaixo, está o espetacular trailer do filme.

Ele é comandado por Christopher Nolan, um diretor até agora incapaz de fazer um filme mediano. Seu primeiro filme foi o pouco visto Following (1998), aparentemente não foi lançado no Brasil, e que ainda não vi (mas pretendo corrigir esse erro em breve), seguido pelo aclamado e criativo Amnésia (2000), que surpreendeu a todos contando uma história a partir de seu final, e seguindo até o seu início. Utilizando essa abordagem curiosa, o filme consegue prender a atenção e inverte as nossas expectativas, já que ao invés de pensarmos o que acontecerá, pensamos o que fez isso acontecer. Nolan recebeu uma indicação ao Oscar de roteiro adaptado por este filme.

Em seguida veio o policial Insônia (2002), com Al Pacino, Hillary Swank e Robin Williams. Seu filme mais fraco até hoje, ainda assim conta com uma história interessante, mas nada marcante, sustentada em parte por seu ótimo elenco. Mas nem por isso deixa de ser um filme sólido e acima da média.

Esses dois filmes lhe deram a oportunidade de trazer o Homem-Morcego de volta aos cinemas em Batman Begins (2005). Sua abordagem mais realista do super-herói resultou em um filme que é quase um policial noir, e que finalmente remete à alcunha do personagem de Melhor Detetive do Mundo, distanciando-se da grandiosidade dos filmes de Tim Burton e ao desfile de carnaval dos Batmans de Joel Schumacher.

Antes de se dedicar ao segundo Batman, Nolan realizou o fantástico O Grande Truque (2006). Retratando a rivalidade entre dois mágicos no ano de 1900, Nolan atinge seu ápice com um roteiro brilhante (um dos melhores que eu já vi), uma direção bem trabalhada, e atuações belíssimas. Foi pouco visto, mas merece ser descoberto, já que realmente é um filme maravilhoso.

Por fim, Nolan realizou O Cavaleiro das Trevas (2008), que traz um Batman ainda mais real, e, com isso, mais crível. Novamente trazendo uma história apenas eficiente, o trunfo do filme reside na direção cheia de energia e suspense de Nolan e, principalmente, na espetacular atuação de Heath Ledger, que cria um Coringa ameaçador e verdadeiramente insano. Infelizmente, por se tratar de um filme de super-heróis e um blockbuster (se tornou, à época, a segunda maior bilheteria da história), ele não foi reconhecido na temporada de premiações, recebendo apenas o Oscar póstumo de ator coadjuvante para Ledger e o de edição de som.

Sucesso tanto de crítica quanto de público, Chris Nolan atingiu o status de diretor reconhecido em Hollywood, com liberdade para tocar seus projetos. Assim, é no mínimo com ansiedade que aguardo seu próximo trabalho, a ficção-científica Inception (A Origem), cuja data de estréia no Brasil é 6 de agosto. O instigante trailer você pode acompanhar abaixo.


Séries - LOST

Bom, como não quero cometer nenhum spoiler, será um pouco difícil comentar a série, mas vamos lá. Quem ainda não assistiu, corra, pois se há uma série que merece ser conferida, ela é LOST.

LOST - *****

Há 6 anos, víamos a imagem de um olho se abrindo, e nos revelando a um confuso e assustado Dr. Jack Sheppard. Pois ontem, 6 anos depois, a sua história se encerrou, e, junto com ela, uma das séries mais bem sucedidas da televisão.

Ela se inicia mostrando a queda do vôo Oceanic 815 em uma ilha do pacífico. Perdidos, os sobreviventes buscavam se organizar e esperar por ajuda, e as ações tomadas por estes personagens encontravam eco nos flashbacks mostrados pela série. Durante toda a primeira temporada, nos perguntamos se aqueles indivíduos iriam sair da ilha, mas certos mistérios começavam a sugerir que, ao invés de apenas um drama centrado em pessoas afastadas da sociedade, estava uma história maior, e que um propósito ainda incompreendido estava por trás a guiar todas as peças do tabuleiro.

E foi essa coragem de mudar as regras do jogo que fez de LOST o fenômeno que presenciamos. A cada temporada, a própria estrutura da série era alterada, e o que começou com um olhar sobre pessoas numa ilha e seus flashbacks se tornava uma história que se modificava a cada instante. Aos poucos, as peças do jogo eram movidas e uma parte do quadro geral traçado pelos homens por trás da cortina eram expostos.

E, se os mistérios da série e sua mitologia eram extremamente ricas, o que cativava mesmo são os seus personagens. Acompanhamos um paraplégico de fé inabalável que não aceita sua condição, uma fugitiva que tomou ações impensadas, um torturador iraquiano, um doutor com complexo de deus... E foram através destes 6 anos que testemunhamos o crescimento de cada um deles, em sua busca para se tornarem pessoas melhores. E é isso o que realmente importa em LOST: não é a resposta aos mistérios que a série apresentava que a fazia ser assistida, mas sim a empatia com estas pessoas, tão reais quanto qualquer outra, e a jornada que elas percorreram até o seu final.

E nisto os produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof se saíram admiravelmente bem. Tendo carta branca para, desde a 3ª temporada, encerrar a série em seu 6º ano, eles nos conduziram com maestria até que todas as peças estivessem em seu lugar, nos preparando para o desfecho sensacional de ontem. Sim, muitos questionarão o final, muitos não entenderão seu significado, mas LOST se vai cumprindo exatamente aquilo que prometera: do início ao fim, uma história cativante, emocionante e extremamente bela.

Nunca mais escutaremos a frase "Previously on LOST...". Mas este não é um sentimento de que algo ficou pra trás, mas sim de que deixará muita saudade. Namaste!

domingo, 23 de maio de 2010

Séries - Pushing Daisies

Bom, quase dois meses sem postagens. Preciso fazer disso um hábito. :(

Enfim, como prometido, continuo hoje a fazer uma retrospectiva das séries que assisti/assisto. Amanhã faço a resenha de Lost, após assistir ao derradeiro episódio da série que revolucionou a TV.

Pushing Daisies - ****

Ned (Lee Pace, ótimo) tem um dom incomum: ao tocar em uma pessoa morta, esta imediatamente retorna à vida. Se ele tocá-la novamente, a pessoa volta a morrer, desta vez para sempre. E com um pequeno porém: se alguém que Ned reviveu permanecer via por mais de um minuto, outra pessoa morre em seu lugar.

Com esse "talento", Ned se une a um detetive particular (Chi McBride, excelente) com o intuito de ganhar dinheiro solucionando assassinatos (uma tarefa fácil para alguém que pode simplesmente perguntar ao morto quem o matou). Mas certo dia, a vítima é uma antiga paixão de Ned (Anna Friel), e que, ressucitada, viverá um caso de amor impossível com ele.

E, se a premissa da série já não é bizarra o suficiente, os diálogos cheios de jogos de palavras ("a garota chamada Chuck") e aliterações ("The Darling Mermaid Darlings") e o visual pra lá de inventivo fazem desta uma série ímpar. Cada fotograma visto na telinha traz uma assinatura única e inconfundível, contando com um visual arrebatador, como o campo de girassóis ou o primeiro beijo entre o garoto Ned e a garota chamada Chuck. Trazendo uma direção de arte e efeitos especiais que buscavam criar visuais imaginativos para suas personagens e locações, a série era um verdadeiro prazer para os olhos.

Mas não era apenas visualmente que a série se destacava. Os roteiros inspirados brindavam os espectadores com diálogos extremamente bem polidos e elegantes. As falas que se atropelavam e se completavam contribuíam para imprimir um ritmo dinâmico ao programa, novamente buscando algo que o destacasse dos demais. Sem contar a narração imponente, que trazia uma aura de fábula inconfundível para o projeto.

E deve-se destacar também as brilhantes interpretações do elenco principal. Lee Pace, como o personagem principal, carrega com firmeza a função de exibir uma pessoa que claramente se ressente do "poder" que possui, mas que evita transformá-lo em uma pessoa amargurada. Ao invés disso, seu Ned é um homem que exala otimismo e esperança, mesmo que suas falas indiquem o contrário. Já Anna Friel também é hábil ao retratar sua Chuck, uma mulher que dedicou sua vida a cuidar das tias solteironas, e que descobre, na morte, uma segunda chance para realmente viver a vida. Mas quem roubam todas as cenas são os coadjuvantes. Chi McBride interpreta o detetive Emerson Cod, que insiste em usar o dom de Ned para ganhar dinheiro resolvendo crimes, mas que, apesar de sua fachada ambiciosa e sarcástica, se revela um homem bondoso e justo. E Kristin Chenoweth, que assume a identidade da sonhadora Olive, que se encontra perdidamente apaixonada por Ned. Contando com um timing cômico invejável, ela consegue extrair graça de momentos absolutamente normais (como sua inflexão ao dizer um simples "Hein?").

Trazendo também momentos absolutamente lúdicos e emocionantes (principalmente as tentativas de encontrar possibilidades para o "namoro" de Ned e Chuck, que estão condenados a nunca mais poderem se tocar), a série consegue misturar bem momentos tocantes com outros bem mais leves (que são maioria).

Infelizmente, devido aos baixos índices de audiência (os mesmos visual e roteiro incomuns que são os grandes trunfos da série se tornaram sua própria condenação, já que afastaram o público médio), a série foi cancelada prematuramente na segunda temporada. E com isso, esta segunda temporada foi prejudicada, já que, sem saber se a série seria levada até o final, seus criadores não puderam manter a história fluindo de forma natural, fazendo com que aqui e ali ela perdesse o ritmo com alguns episódios decepcionantes.

Mas, no geral, esta foi uma das grandes surpresas de 2008, e que merece ser descoberta, já que representa a prova de que é possível se fazer comédias fora do padrão natural das sitcoms.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Séries - Prison Break

Bom, tenho que admitir que atualmente não tenho visto muitos filmes não. Fui fisgado há quase 4 anos pelas séries de TV. E, meu amigo, devo dizer: algumas das séries que eu acompanho dão um banho na enorme maioria das produções cinematográficas que caem por aí.

Existem aquelas séries nostálgicas, que sempre acompanhei. Como por exemplo, Simpsons nas manhãs de sábado na Globo, ou a saudosa Arquivo X na Record (acho que passou um tempo na Globo também). Mas acompanhar, acompanhar mesmo, desde o primeiro capítulo em diante, eu comecei em 2004, com o fenômeno Lost... Desde então, minha lista foi só aumentando.

Começarei então a comentar as séries que eu já assisti e que ainda assisto. A cada dia comentarei sobre uma diferente (são mais de dez...)

Prison Break - **

Lincoln Burrows foi condenado à morte por matar um figurão da política americana. Seu irmão, Michael Scofield, também acaba sendo preso por assalto a banco e é mandado à mesma instituição de Lincoln. Só que Michael havia sido preso propositalmente, para colocar em prática um plano para libertar seu irmão...

Usando uma premissa a princípio nem um pouco original, a história cativa em seu início graças à inventividade do plano de fuga de Michael. Extremamente inteligente, todos os mínimos detalhes do plano de fuga foram minunciosamente estudados por ele. E mesmo quando algo dá errado, sua capacidade de improvisação é impressionante.

Vale ressaltar também o ótimo vilão T-Bag, um homem extremamente perigoso e dono de um instinto de sobrevivência ímpar. É uma pena que os demais personagens se mostrem rasos e de intérpretes fracos, incluindo aí o próprio Lincoln e o interesse amoroso de Michael, a Dra. Sara Tancredi.

Boa parte da tensão da série se deve ao costume maniqueísta do roteiro de sempre terminar os episódios com um gancho marcante, mesmo que o episódio em si não tivesse tido nada de muito importante. Isso, em perspectiva, acaba por enfraquecer a série.

Em resumo, a primeira temporada é realmente boa, mas a partir da segunda ela entra numa descendente que culmina na péssima (e derradeira) quarta temporada, já que a trama vai se enchendo de personagens descartáveis, reviravoltas previsíveis e tramas cada vez mais ridículas. Definitivamente a alta qualidade da primeira temporada não é suficiente para esconder os erros das demais.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Em 1997, eu fui morar em Vilhena, Rondônia. Infelizmente, uma cidade sem nenhum cinema - mas com uma locadora, onde eu assistia uma média de 3 a 4 filmes por semana. Foi nessa época, afastado da civilização, que comecei a acompanhar a Revista SET. Ela se tornou uma fiel companheira e guia sobre as novidades no mundo do cinema que eu ainda demoraria pra assistir...

Finalmente, em 1998, assinamos um serviço de uma tal Internet, uma rede de informações onde podíamos pesquisar de tudo: desde nome de pessoas até trabalhos prontos de escola! Sendo assim, por que não procurar sobre cinema? Foi aí que eu encontrei o Cinema em Cena, um site criado um ano antes por um estudante do 7º período de medicina da UFMG. Estudante esse que largou a faculdade para se dedicar integralmente à sua paixão.

Acessar o Cinema em Cena e ler as críticas nele publicadas se tornaram um vício que já dura 12 anos. Posso dizer com absoluta certeza que li todas as críticas do site desde essa época (época em que muitos ainda o chamavam de Cinema em Casa) até hoje. As críticas de Magnólia e Amnésia, por exemplo, são lidas pelo menos anualmente...

E foram as críticas do Pablo Villaça (este é o nome da fera) que foram abrindo meu apetite cada vez mais. Elas que ampliaram minha visão, que me ensinaram a exigir cada vez mais de um filme, de - igual ele mesmo diz - não apenas gostar de um filme, mas ser capaz de racionalizar e explicar porque eu gostara de tal película.

Sem essa leitura, com certeza até hoje eu assistiria aos filmes anuais do Didi, Xuxa, Schwarzenegger, e acharia o máximo. Mas agora posso apreciar obras-primas como O Grande Truque, Oldboy, Edukators... Cheguei inclusive a participar do seu primeiro curso de História, Linguagem e Crítica Cinematográfica, para que eu pudesse imergir ainda mais naquilo a que eu assistia.

Fica aqui então meu agradecimento a esse cara que foi sem dúvida meu grande incentivador (ainda que sem saber) nessa jornada, e até hoje é meu grande ídolo. Um cara que eu já conheço bastante graças ao blog que ele mantém, e que eu considero um amigo virtual. Mesmo que essa amizade seja de mão-única...

Quem se interessar, acesse o blog dele. É uma leitura das melhores... http://www.cinemaemcena.com.br/pv/blogpablo/

The beginning is the end is the beginning

Bom, aqui vamos nós...

Antes de mais nada, quero dizer que sempre amei uma boa história, desde pequeno. Sempre devorava os livros de Monteiro Lobato, dos Karas (alguém lembra? hehe), Sherlock Holmes, passando pelos quadrinhos do Maurício de Sousa e mais tarde dos super-heróis da Marvel... Mas desde sempre minha fascinação foi pelo cinema. Me lembro perfeitamente do dia em que minha mãe me levou ao cinema pela primeira vez: E.T. - O Extraterrestre. Não sei se é possível que tenha sido na estréia, afinal eu tinha apenas 1 ano em 1982! Mas eu me lembro de sair do cinema maravilhado pela experiência que eu havia acabado de ter. Desde então, eram constantes minhas idas ao Cine Brasil, na Praça Sete, para assistir aos filmes dos Trapalhões, sempre levado pela minha mãe preta (saudades da Con).

Tenho lembranças vívidas de filmes como Olha Quem Está Falando, Jurassic Park (sentado no chão do Palladium), Forrest Gump... E sempre ficava totalmente contaminado pelas histórias que assistia. Adorava imaginar que eu me tornaria um diretor/roteirista/ator e participaria das aventuras de James Bond, Jurassic Park 3, além de ser o responsável por realizar novos clássicos do cinema como Amizade, Praça Liberdade, Horas de Alta Exposição... Eu cheguei a fazer sinopses de mais de 40 filmes, planejando minha carreira até 2040, mais ou menos! :)

Mas, sabe-se lá porque, não segui esse caminho, e os filmes permaneceram apenas como uma grande diversão na minha vida. O que não quer dizer que eu não procurava aprender cada vez mais sobre eles, a devorá-los com olhos cada vez mais ávidos por uma grande história.

E é aqui que nós chegamos! Eu, com esta vontade enorme de discutir cinema, e sem ter alguém pra me escutar. Por isso resolvi criar este blog, um espaço que eu pudesse deixar minhas opiniões e receber opiniões de outras pessoas como eu, que também já não aguentam mais discutir com seus travesseiros...

Por isso, sejam todos bem-vindos. Espero que gostem da jornada que se inicia!